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O mercado é, portanto, um mecanismo que
liga a produção ao consumo e que coordena toda a economia. Admitindo que o
mercado é o mecanismo coordenador da economia capitalista, isso permite-nos
afirmar que a Bolsa de Valores tem desde há muito tempo um papel importante
em todo este processo de troca: »
Permite
um fácil escoamento do crédito público e privado. Ela canaliza a
poupança dos particulares e das
empresas para o processo produtivo »
Actua como factor importante na repartição de
recursos e na optimização da aplicação da poupança. » É um organismo útil para o desenvolvimento económico das sociedades Porém, nos últimos anos,
assiste-se a um grande interesse dos portugueses pela Bolsa. O novo ambiente
que envolve o mercado financeiro, e em particular a Bolsa, tem sido um
importante factor dinamizador para fomentar a canalização de poupanças e a
optimização dos recursos. A palavra bolsa, segundo alguns, surge
no século XIV e deriva do nome de uma família de banqueiros, os Van der
Burse, de Bruges, em casa dos quais se reuniam armadores, mercadores, agentes
de câmbio, etc., e onde se realizavam com frequência operações de câmbio.
Outros afirmam que a referida palavra deriva não do nome da família, mas das
insígnias do solar que habitavam.
Estas eram constituídas por três bolsas Segundo outra versão corrente, a
palavra Bolsa tem origem na actividade exercida por cambistas e banqueiros
que actuavam no Norte de Itália, e no facto de estes guardarem os seus
valores em pequenas bolsas. No entanto, a actividade desenvolvida nas
Bolsas é muito mais antiga. Efectivamente, a troca, como acto fundamental da
actividade económica, nasceu da
divisão do trabalho e desenvolveu-se ao longo dos tempos. Contudo, não podemos afirmar que os lugares
onde os comerciantes se reunião e efectuavam as diversas transacções se
assemelhassem às instituições que hoje designamos por Bolsas de Mercadorias,
de Valores de Câmbio, mas foram sem dúvida antecedentes históricos muito
importantes. Um desses antecedentes diz respeito
às reuniões efectuadas antes da Era Cristã, nas arcadas do porto de Pireu, na
praça de Corinto ou no Collegium Mercatorum O desenvolvimento do comércio originou na
Idade Média um maior contacto entre comerciantes e povos nas principais
cidades portuárias, moeda e metais preciosos. Todo este processo de comercialização, as
feiras, iniciado na Idade Média, continuou até aos meados do século XVII, mas
adaptado às novas realidades e necessidades. As feiras mais importantes foram as de
Castela, Francoforte, Lyon, Antuérpia e Génova, onde , e após as transacções
de mercadorias, se efectuavam os pagamentos ou vencimentos das obrigações, letras
de câmbio, etc. Neste circuito circulavam letras de câmbio e instrumentos
mercantis necessários para a regulamentação de todo o comércio europeu, ou os
acordos realizados pelos reis para fazer face às inúmeras despesas militares. Após o aparecimento da economia
nacional, os reis impulsionaram todo este circuito internacional de feiras de
modo a facilitar o comércio, a regularizar os negócios e a criar um mercado
de crédito .Verifica-se que há mudanças, não no aspecto organizativo , mas
naquilo que se transacciona. As feiras deste período distinguem a
contratação de mercadorias da transacções de dinheiro, o que converterá a
feira medieval em Bolsa de capitais tal como existe hoje. A negociação das mercadorias exigia a
intervenção do dinheiro, fazendo com que estes dois aspectos coexistissem nas
feiras medievais. Contudo, à medida que a especulação se foi desenvolvendo,
surge a diferenciação entre feiras e Bolsas. A primeira Bolsa – Nieuve Beurse –
surge em Antuérpia, em 1531. Ali se realizaram negócios puramente
especulativos: -
desenvolveram-se as
apostas sobre diversos acontecimentos( chegada de barcos); -
realizavam-se jogos de
azar como a moderna lotaria; -
intensificavam-se várias operações
financeiras(empréstimos). No entanto, a Bolsa propriamente
dita surge em Amesterdão no século XVII . Era o mercado mais importante de
títulos de empréstimo de Estado da Europa. Os negócios a prazo, com todos os
seus pormenores, nasceram na Bolsa de Amesterdão. Além de papel do Estado
cotavam-se acções, como resultado do desenvolvimento das sociedades por
acções. A Bolsa de Amesterdão foi, nos
séculos XVII e XVIII, o primeiro mercado europeu de títulos e valores. Um dos
primeiros boletins de cotações surge no século XVIII e faz referência às
cotações de vinte e cinco classes de obrigações provinciais e do Estado, de
três acções nacionais e de outros valores estrangeiros, num total de quarenta
e quatro classes de valores. Havia agentes de câmbio e remisiers, que
faziam a ligação entre os correctores e a clientela que, sentada, nos cafés
circundantes esperava pelos resultados da Bolsa. A
especulação era intensa, utilizando-se vários expedientes (boatos,
falsos alarmes) para influenciar as cotações e permitir ao bom estratega
tirar o máximo rendimento da baixa e da alta. No século XV não havia em Londres
um edifício privativo da Bolsa, mas uma Rua da Bolsa, a Rua dos Lombardos, a
cidadela dos italianos ou a avenida dos Cambistas, Em 1567, o Chanceler do Tesouro
apresentou à rainha Isabel um relatório muito pessimista sobre a Bolsa de
Antuérpia, que estava muito afectada pelas guerras religiosas desencadeadas
na Europa. Toda a desordem financeira que afectava a
referida Bolsa tinha reflexos em vários países da Europa, entre os quais a
Inglaterra. Este país teve necessidade de
constituir uma Bolsa própria para proteger a sua economia. Surge então em A atitude de criar a Bolsa de
Londres mostra que não há poder económico liberal sem um mercado financeiro
organizado e regulamentado. A partir de então, os capitalistas podiam colocar
o seu dinheiro em empréstimos do Estado. O Royal Exchange contratava empréstimos
do Estado e possivelmente ali se cotaram as primeiras acções da East India
Company. Desde o início, a Bolsa de Londres foi o centro nervoso do Império.
Sem a Bolsa, este Império não se teria mantido. Para além dos capitalistas e dos
comerciantes que se dedicavam às trocas com a Índia, havia uma multidão de
intermediários, pequenos especuladores e correctores que actuavam na Bolsa
londrina. A especulação bolsista intensificou-se
com o desenvolvimento da East India Company a partir de 1666, com a entrada
de judeus vindos das outras Bolsas da Europa, e com as alterações estruturais
provocadas pela revolução de 1688. O ambiente da Bolsa de Londres alterou-se
completamente, fazendo com que a aristocracia do comércio detestasse os
recém- chegados que falavam muito alto e perturbavam a paz que até então
existia. O Parlamento inglês promulgou
algumas leis sobre o funcionamento da
Bolsa. Muitos frequentadores da Bolsa, os
brokers, os jobbers e outros, refugiaram-se em cafés circundantes, onde
8intensificaram as suas operações, pondo em causa o normal funcionamento da
Royal Exchange. Foi pedido o seu regresso, mas os
elementos expulsos recusaram e constituíram a Stock Exchange.Com os seus
próprios meios adquiriram os terrenos onde mais tarde foi erguido o edifício
da Stock Exchange de Londres. Devido a alguns resultados menos
felizes, a Bolsa de Paris foi criada oficialmente por um decreto de 1724, mas
durante muitos anos vagueou de local em local na procura de um edifício
próprio. Como já se referiu anteriormente,
a expansão da indústria no século XIX, atraiu muitos investidores, que
canalizavam as suas poupanças para o desenvolvimento da rede ferroviária. Este
desenvolvimento reflectiu-se nas Bolsas europeias e ainda na de Nova Iorque.
A paixão pelos negócios da Bolsa era também a paixão pelo progresso.
Especulava-se desenfreadamente com acções, só pelo gosto do jogo, sem
averiguar a rendibilidade dos projectos. Não se compravam acções para
investir dinheiro, mas apenas para especular. Por outro lado, o
desenvolvimento do sistema bancário e o aparecimento da Bolsa de Valores
facilitou a aplicação do capital privado. Na realidade, o pequeno investidor
pode investir em sociedades de transportes, industriais e comerciais, através
da aquisição de títulos da Bolsa. Apesar de ser pouco frequente, no
início do século XX, as sociedades recorreram à Bolsa para obterem capitais
privados, algumas delas conseguiram também captar somas significativas. Até ao início da Primeira Guerra
Mundial, as sociedades industriais recorrem a um número reduzido de
capitalistas que constituem o grupo dos accionistas iniciais. A Bolsa,
através da emissão de títulos, foi importante para a expansão das empresas já
existentes, e raramente era utilizada para a formação de novas sociedades.
Assim, até finais do século XIX, as Bolsas da Europa ou dos Estado Unidos
emitiam sobretudo títulos governamentais ou de sociedades públicas, para fazer
face às despesas públicas crescentes ou a despesas militares, sem contudo
esquecer as sociedades industriais. A expansão da rede ferroviária
faz-se sobretudo com o recurso à pequena poupança atraída pela emissão de
títulos da Bolsa, o que mostra a importância deste tipo de mercado na Europa
e nos Estados Unidos. Os mercados financeiros
anteriormente caracterizados sofreram quebras no ritmo de funcionamento, o
que é natural em consequência não só da sua actividade especulativa mas
também de factores económicos, políticos, psicológicos, etc., que os afectam. Muitas crises podem ser
mencionadas, tais como: -a quebra do ouro -o desastre financeiro da Bolsa de Viena
em 1873; -O pânico de outra Sexta-feira negra de
Nova Iorque em 1929. A maior catástrofe da história
financeira, no meio de uma atmosfera de euforia económica mantida, no meio de
uma atmosfera de euforia económica mantida artificialmente pelo governo
americano. Estas quebras na Bolsa, que afectam não só
a economia dos países mas também o público, lançaram no desemprego e na
miséria milhares de pessoas, o que torna a Bolsa um mundo complexo onde os
especuladores arriscam tudo por tudo à procura de serem milionários, o que
pode acontecer – mas os riscos que correm podem lançá-los na miséria. André Kostolany, perito da Bolsa,
caracteriza na sua obra A Bolsa, A Grande Aventura este mundo complexo e
fabuloso. Fá-lo do seguinte modo: « A Bolsa é um universo fabuloso onde, de
um momento para o outro, surgem fortunas das Mil e Uma Noites e onde também,
instantaneamente, se perdem milhões incalculáveis. ü
O funcionamento da
Bolsa A
Bolsa de Valores é um mercado
organizado onde se transaccionam
valores mobiliários(acções e obrigações) através de intermediários
específicos onde a transparência é um requisito fundamental. As compras e as
vendas de títulos são realizadas por correctores e por sociedades de
corretagem(que só podem actuar no mercado
por conta de nutrem) e as sociedades financeiras de corretagem(que
podem actuar por conta própria gerindo carteiras de clientes e, por isso, são
consideradas Declares). O mercado de capitais divide-se em mercado
primário- emissão de títulos- e mercado secundário- transacções de títulos já
existentes. Os vários mercados secundários que podem encontrar-se nos
sistemas financeiros distinguem-se pela organização e modo de funcionamento
próprio, e concorrem entre si, não só pelo lado da oferta – procurando
conquistar o interesse das entidades emitentes de valores mobiliários- como
pelo lado da procura- mediante a
aquisição desses valores por parte dos investidores. Em Portugal, em termos de mercado
secundário, existe não só a Bolsa de Valores, mas igualmente o chamado
Mercado de Balcão, por vezes também conhecido como o Mercado Fora da Bolsa A Bolsa de Valores é um mercado
secundário, especialmente, organizado para a transacção de valores
mobiliários. Ter títulos admitidos à cotação na Bolsa é vantajoso para as
empresas devido aos benefícios fiscais que pode usufruir, à maior facilidade
em obter meios financeiros no mercado de capitais e ao prestígio que oferece. Com a introdução do EURO em 1 de Janeiro
de 1999 e a partir do início do ano Se a
empresa pretender financiar os projectos de investimento recorrendo à Bolsa
tem duas alternativas: v
Ou
emite um empréstimo obrigacionista , ficando endividada v
Ou aumenta
o capital social através da emissão de novas acções e da entrada de novos
sócios. Se a sociedade optar pela emissão de um
empréstimo obrigacionista, estas são organizadas pelos bancos ou pelas
Sociedades de Investimento que deste modo tomam firme a emissão e colocam os
títulos junto do público. Lançado o empréstimo e subscrito pelos
investidores, a empresa faz de imediato o pedido de admissão das obrigações à
Bolsa. A empresa pode, por outro lado, aumentar o
capital social através da emissão de novas acções a um determinado preço e,
assim, permitir a entrada de novos accionistas. A partir daqui, o processo
segue os mesmos trâmites já seguido pelo empréstimo obrigacionista. Ma
instituição de crédito organiza o dossier e coloca as acções, é feito o
pedido de admissão à cotação e os títulos passam a ser negociados em Bolsa. v Quem intervém na Bolsa? Em
Portugal, todas as operações de Bolsa são realizadas através da intervenção
dos correctores que se encontram organizados em sociedades de correctores ou
Brokers (executam as ordens dos seus clientes) e em sociedades financeiras de
corretagem ou Dealers(podem possuir uma carteira própria de títulos e podem
transaccioná-los).
Preço dos títulos? Na Bolsa
de Valores os preços dos valores mobiliários são fixados de acordo com a
respectiva oferta e procura. Se para um determinado valor mobiliário há mais
ordens de compra do que ordens de venda, o preço sobe até atingir um nível
que afaste certos compradores alicie novos vendedores. Uma ordem de Bolsa representa um mandato
relativo às operações de compra e de venda em Bolsa de valores mobiliários.
As ordens de Bolsa podem ser dadas aos intermediários financeiros, às
sociedades correctoras e às sociedades financeiras de corretagem(Dealers)
antes da abertura das sessões ou durante o seu funcionamento. Apenas as sociedades correctoras e as
sociedades financeiras de corretagem podem operar na Bolsa de Valores de
Lisboa. CMVM( Comissão
do Mercado de Valores mobiliários) É uma pessoa colectiva de direito público
de autonomia administrativa e financeira e de património próprio sujeita à tutela
do Ministro das Finanças, a quem compete
a regulamentação, supervisão fiscalização e promoção dos mercados de
valores mobiliários e das actividades que nos mesmos exerçam todos os agentes
que nelas intervenham, directa ou indirectamente. v Produtos Financeiros A Bolsa de Valores é um mercado organizado
onde se transaccionam valores mobiliários. v
OPV v
OPA v
Futuros e opções v
Mercado de Derivados v
Acções v
Obrigações
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